Créditos das Imagens: EstudioEmObra

28/02/2026

até

28/03/2026

Tiago Malagodi: A Cidade da Pedra que Brilha

Gruta

A Gruta – Espaço de Arte Contemporânea apresenta a exposição individual A Cidade da Pedra que Brilha, do artista paraibano Tiago Malagodi. O conjunto de 16 pinturas inéditas é fruto de uma investigação que une física clássica, geopolítica e memória afetiva sobre Itabira (MG), cidade-símbolo da exploração mineral brasileira e berço de Carlos Drummond de Andrade.

Gruta
Rua Barra Funda, 450 - Barra Funda

Segunda-feira à Sábado: 14h às 19h

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Galeria de Fotos

Sobre a Exposição

Texto Crítico: Matheus Morani

A Gruta – Espaço de Arte Contemporânea apresenta a exposição individual A Cidade da Pedra que Brilha, do artista paraibano Tiago Malagodi. O conjunto de 16 pinturas inéditas é fruto de uma investigação que une física clássica, geopolítica e memória afetiva sobre Itabira (MG), cidade-símbolo da exploração mineral brasileira e berço de Carlos Drummond de Andrade.

Com texto de apresentação de Matheus Morani, a mostra propõe a entropia — conceito da Segunda Lei da Termodinâmica sobre a irreversibilidade do tempo — como chave de leitura para a paisagem mineira. “Nas telas de Malagodi, a mineração aparece como operação entrópica por excelência”, afirma o Morani. “Ela comprime milhões de anos de formação geológica em poucas décadas de exploração, acelerando a dissipação da matéria e transformando montanhas em ausência.”

A série utiliza uma paleta reduzida em tons de cinza e azul, escolha que remete à natureza do minério de ferro em estado bruto. Em diálogo com a land art de Robert Smithson, Malagodi transforma trilhos e minas em marcos de uma temporalidade degradada.

A paisagem não é tratada como cenário, mas como sistema: um campo onde energia geológica, histórica e simbólica é progressivamente convertida em dispersão e ruína. Para o autor do texto, o trabalho de Malagodi tensiona o pertencimento e a dependência histórica. “Natureza, figura humana e estruturas industriais compartilham o mesmo regime tonal, sugerindo um mundo submetido a um apagamento comum”, completa.

O Pica-Pau como força disruptiva

No centro dessas cenas, surge o Pica-Pau, figura que o artista encontrou durante uma espera de quatro horas pelo trem em Nova Era (MG). “Fiz amizade com um garoto, neto de um ferroviário, que vivia entre o rio Doce e os trilhos. Ele disse que só sabia desenhar o Pica-Pau e trocamos desenhos”, recorda Malagodi.

O esboço do menino ficou pendurado na parede do artista ao lado de fotos de Itabira, formando um mapa mnemônico que passou a incomodá-lo. “Descobri que o personagem surgiu na mesma época da criação da Vale, no período entre guerras. Ele passou a funcionar como um unificador anacrônico que concentra o soft power imperialista, operando menos como ilustração e mais como força disruptiva.”

Das páginas da academia para as telas

O projeto expande a dissertação de mestrado do artista pela Unesp (2020), “Entropia e paisagem”, que partiu de uma viagem de trem até Itabira (MG), pela linha Vitória–Minas, que acompanha o rio Doce. O trabalho acadêmico — que agora se desdobra em prática pictórica — estabelece um diálogo crítico com os escritos de Robert Smithson, ressignificando o pensamento do artista norte-americano no contexto brasileiro.

A investigação cruza ainda a densidade poética de “A Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, com o ensaio homônimo de José Miguel Wisnik, propondo uma reflexão sobre como a identidade local é moldada por forças geopolíticas globais.

Para a concepção das obras, Malagodi evitou a ilustração literal de arquivos, preferindo adaptar fontes que vão desde uma gravura de 1822 do príncipe Maximilian até fotografias autorais da mina do Cauê, da Igreja do Rosarinho e da antiga fazenda da família Drummond — hoje transformada em uma bacia de rejeitos.

O resultado é um conjunto de pinturas que tensiona o pertencimento, a dependência histórica e a erosão do tempo na paisagem brasileira. Sob o silêncio dos tons de cinza, as telas de Malagodi retratam o brilho residual de uma terra que, entre o peso do minério e a força de seu legado, resiste ao próprio apagamento.

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Artistas

Tiago Malagodi: A Cidade da Pedra que Brilha

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A Gruta – Espaço de Arte Contemporânea apresenta a exposição individual A Cidade da Pedra que Brilha, do artista paraibano Tiago Malagodi. O conjunto de 16 pinturas inéditas é fruto de uma investigação que une física clássica, geopolítica e memória afetiva sobre Itabira (MG), cidade-símbolo da exploração mineral brasileira e berço de Carlos Drummond de Andrade.

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