Da ebulição
Tudo começa com um embrião, como Julia os chama: formas que surgem em resposta, talvez, ao estado de ânimo de seu próprio corpo. Esses primeiros gestos, mais do que intuitivos ou inconscientes, são informados por seus estudos em desenho e, sobretudo, por seu interesse em anatomia. Corpos que podem ser humanos, não humanos, e mais que humanos. Anatomias inventadas em estado de ebulição partem da observação profunda do outro, para depois retornarem a si.
Terça à Sexta-feira: 11h às 19h
Sábado: 11h às 17h
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Da ebulição
Tudo começa com um embrião, como Julia os chama: formas que surgem em resposta, talvez, ao estado de ânimo de seu próprio corpo. Esses primeiros gestos, mais do que intuitivos ou inconscientes, são informados por seus estudos em desenho e, sobretudo, por seu interesse em anatomia. Corpos que podem ser humanos, não humanos, e mais que humanos. Anatomias inventadas em estado de ebulição partem da observação profunda do outro, para depois retornarem a si.
Seu trabalho, que mantém uma relação originária com o desenho, começa numa das técnicas tradicionais: o desenho a carvão. Em grande escala, as linhas de forte movimento e presença inscrevem corpos que nunca foram os da realidade exterior, mas daquilo que ferve sob a couraça. Uma expressividade quase crua, ainda pré-forma, transforma o corpo e o entrelaça de maneira primordial com outros.
A partir de encontros com o acaso, os trabalhos de Gallo passam por uma série de mutações que se acumulam e coexistem. Após um derramamento acidental, ela começa a preparar o papel com café e a adicionar água ao carvão. Nas novas imagens, em tons de sépia e pretos diluídos, o elemento aquoso circunda os corpos, submergindo-os ou contendo-os. Em seguida, o recorte torna-se o novo embrião. A partir da antiga brincadeira de dobrar o papel, recortá-lo e abri-lo, emergem formas sugeridas pelo corte, duplicadas por uma simetria livre.
Em seus trabalhos mais recentes, Julia começa a corporificar as imagens. Embora seus desenhos já tivessem uma tridimensionalidade latente e um corpo próprio, aqui a pele ganha carne. Trabalhando com folhas de alumínio, encontradas em suas pesquisas por materiais e que a remetem às primeiras criações da infância com papel alumínio, ela cria texturas e recortes, construindo corpos completos, ou vestígios da troca de pele. Herdeiras das experimentações anteriores e, em verdade, concomitantes, os corpos transitam de uma técnica para outra, alterando sua textura e volume.
A abertura ao outro, o elemento aquoso que cria uma espécie de placenta para os embriões, o entrelaçamento dos corpos, o cordão umbilical. Sob o calor da fervura, tudo vai apontando para uma fusão, uma simbiose em que já não se dinstingue o que é um e o que é o outro.
Da ebulição
Tudo começa com um embrião, como Julia os chama: formas que surgem em resposta, talvez, ao estado de ânimo de seu próprio corpo. Esses primeiros gestos, mais do que intuitivos ou inconscientes, são informados por seus estudos em desenho e, sobretudo, por seu interesse em anatomia. Corpos que podem ser humanos, não humanos, e mais que humanos. Anatomias inventadas em estado de ebulição partem da observação profunda do outro, para depois retornarem a si.
Terça à Sexta-feira: 11h às 19h
Sábado: 11h às 17h