Em TRANSCLANDESTINA 3020 o amor não é apenas uma ideia, mas sim uma infraestrutura tangível de sobrevivência. Ele se manifesta de forma visível na maneira como a obra é criada, nos seus canais de circulação e como um elemento de sustentação para vidas que estão em constante movimento. O trabalho de Manauara Clandestina vem se consolidando como um método, onde ela entende a migração para além de um fato biográfico, como procedimento de trabalho — um modo de atravessar limites e, no percurso, refazer a si e às próprias condições de existência.
Segunda à Sexta-feira: 10h às 19h
Sábado: 10h às 16h
Segunda à Sexta-feira: 10h às 19h
Sábado: 10h às 16h
Em TRANSCLANDESTINA 3020 o amor não é apenas uma ideia, mas sim uma infraestrutura tangível de sobrevivência. Ele se manifesta de forma visível na maneira como a obra é criada, nos seus canais de circulação e como um elemento de sustentação para vidas que estão em constante movimento. O trabalho de Manauara Clandestina vem se consolidando como um método, onde ela entende a migração para além de um fato biográfico, como procedimento de trabalho — um modo de atravessar limites e, no percurso, refazer a si e às próprias condições de existência. Da experiência do deslocamento concreto às transições subjetivas e coletivas, a migração aparece como prática de passagem: abrir rotas, criar linguagem, construir redes. O filme TRANSCLANDESTINA 3020 é concebido a partir de um exercício de imaginação que busca transcender as fronteiras do estabelecido — sejam elas geográficas, corporais ou simbólicas — utilizando a criação meticulosa de conexões e a mobilização de coletividades como uma autêntica tecnologia de transmutação.
Nesse movimento, “transmutar” não é apenas mudar a forma das coisas, mas deslocar seus destinos. A mostra materializa essa operação por meio do upcycling — não como estética da reciclagem nem como moral do reaproveitamento, e sim como gesto político de reorientação: o que o sistema-mundo nomeia como resto, excesso ou descarte reaparece como matéria de continuidade. O upcycling funciona como uma alquimia do cotidiano: um fazer que transforma o rejeitado em suporte para novas existências. Ao recusar o descarte, ele tensiona o mito do progresso linear e revela outras temporalidades e valores possíveis nos materiais. No contexto migratório, essa operação ganha urgência diante da escassez, o upcycling deixa de ser apenas gesto crítico e se torna ferramenta vital de sobrevivência, evidenciando que a contestação do modelo hegemônico muitas vezes já está inscrita nas práticas de quem vive clandestinamente.
A proposta em questão transcende a simples transmutação da matéria descartada, que é a essência do upcycling. Ela opera olhando mais a fundo, interessada na maneira como construímos nossa percepção, moldamos nossos desejos e vivenciamos o mundo. Por isso, seus trabalhos nos convidam a exercitar a percepção de mundos possíveis pela ótica do amor e da conexão comunitária. O cerne da questão não reside na concepção de uma utopia impecável, mas sim na manutenção da capacidade de conceber alternativas precisamente no momento em que a realidade insiste em se sobrepor ao domínio do sonho.
TRANSCLANDESTINA 3020 é um expresso para o futuro, funcionando como um dispositivo de passagem concreto para cidades onde a vida trans floresce. Mais do que uma promessa abstrata, o passaporte para este expresso é um artefato essencial que garante o deslocamento em um mundo que tenta impedí-lo. Com ele, Íca Nishimoto alcança a possibilidade de transitar entre mundos, escapando de regimes de violência e precariedade em direção a um ‘lugar outro’.
As polaroids realizadas durante o processo criativo evidenciam a natureza profundamente relacional deste trabalho. Longe de funcionarem como registros neutros, elas constituem um arquivo de presenças e vínculos: fragmentos de tempo compartilhado em que a obra se constrói no “entre” —nas alianças, nos atritos e, sobretudo, nos gestos de cuidado que sustentam a constância. Nesse conjunto, aparecem também as forças que amparam a travessia de Manauara: a presença dos seus pais biológicos, o companheirismo do marido, Bernardo Bessa, e a rede de afetos forjada com amigas-irmãs como Camila Ribeiro e Ica Nishimoto.
Rebatizando a galeria como “Ministério Trans de Imigração”, o espaço expositivo se torna local de trânsito e acolhimento. A técnica de transmutação é central nas instalações têxteis, onde uniformes de alta visibilidade e diversos materiais costurados convertem o descarte em um suporte de persistência — a costura atua como reparo, proteção e um gesto comunitário. Através dessas operações de costura e transmutação material, o conjunto de obras concebe a migração como uma prática coletiva que reafirma a vida como uma rede e um futuro em constante construção.
A pesquisa de Manauara Clandestina se fundamenta na premissa de que sobreviver vai além de apenas resistir ao colapso: implica trilhar ativamente novos caminhos no meio dele. A obra foca na produção de redes, gestos e alianças que sustentam a vida em meio às fissuras do sistema vigente. O essencial para a vida está no centro: o amor manifestado nas articulações comunitárias, a solidariedade gravada em uniformes transformados e o contínuo ato de abrir passagens onde antes existia apenas interdição.
Em TRANSCLANDESTINA 3020 o amor não é apenas uma ideia, mas sim uma infraestrutura tangível de sobrevivência. Ele se manifesta de forma visível na maneira como a obra é criada, nos seus canais de circulação e como um elemento de sustentação para vidas que estão em constante movimento. O trabalho de Manauara Clandestina vem se consolidando como um método, onde ela entende a migração para além de um fato biográfico, como procedimento de trabalho — um modo de atravessar limites e, no percurso, refazer a si e às próprias condições de existência.
Segunda à Sexta-feira: 10h às 19h
Sábado: 10h às 16h